domingo, outubro 25

Novo Rumo...

Tracei o meu rumo... a minha estrada, o meu caminho. Não me arrependo. Arrependo-me do que não faço. Com tudo aprendo, com tudo ensino. Sigo as minhas próprias pisadas. Sigo o meu caminho. Aquele que deliberadamente tracei, sonhei e planifiquei. O que me resta agora? Esperar... pois quem espera sempre alcança. Foram três meses engraçados, de palhaçadas "Gestair, boa tarde, fala a Cátia" ou "se te portas mal, levas com isto", foram três meses de confidências "Não sei o que fazer com a minha princesa", três meses de elogios "Tinha saudades do seu sorriso Cátia", três meses de muita coisa... e muita que poderia vir. Mas aquele não era o meu mundo, preferi traçar outra rota. Tu não sabes, nem poderias saber... nunca to disse, não quis dizer, queria que ficasses comigo, mesmo com adversidades. Tal não aconteceu... paciência. Preparo-me para embarcar novamente, estar à deriva e esperar que me deêm a mão. Não será a tua... infelizmente, queres estar longe... faço-te a vontade. Espero que sejas feliz. Espero que sim. Cada um segue os seus planos, longe de olhares, longe de carinhos. Amigos, sim.. sempre. Companheiros, amigos, amantes... não.
Este novo rumo, não te inclui, os novos medos não te incluem, as novas conversas não te incluem...
Preparo-me para o virar de uma página.

Respostas...

"A velha do primeiro andar abriu devagar a janela, não quer que se saiba que tem esta fraqueza sentimental, mas da rua não sobe nenhum ruído, já se foram, deixaram este sítio por onde quase ninguém passa, a velha deveria de estar contente, desta maneira não terá de dividir com os outros as suas galinhas e os seus coelhos, deveria de estar e não está, dos olhos cegos saem-lhe duas lágrimas, pela primeira vez perguntou se tinha alguma razão para continuar a viver. Não achou resposta, as respostas não vêm sempre que são precisas, e mesmo sucede muitas vezes que ter de ficar simplesmente à espera delas é a única resposta possível."


José Saramago, in Ensaio sobre a Cegueira.

sábado, outubro 24

The End

Não... não é o fim do meu blog.

Aqui continuarei a postar os meus desabafos, as minhas angustias, as minhas alegrias, os meus sonhos, as minhas fraquezas, o meu EU mais genuino. Aqui serei simples, pragmática e indisciplinada. Aqui serei menina, moça e mulher. Aqui serei... qualquer coisa que ainda virei a descobrir...

Então, "The end"?


Sim... terminou mais um capitulo da minha vida. Chorei, chorei muito... chorarei mais? Provavelmente... mas a vida é mesmo assim... Uns ganham, outros perdem... e eu mais uma vez, saí derrotada... mas levantarei a cabeça, irei por um sorriso na cara, e "bola" para a frente. Já passei por pior não é? Isto não passou de um amor de verão... pois bem... amores de verão... ficam no verão.
Memórias bonitas... sim, ficam.... mas não passam de memórias... memória do 1º beijo, memória do último beijo, memória de quando disseste que tavas apaixonado... infelizmente, não foi o suficiente para lutares por nós. FRACO... Primeiro problema e cruzas os braços... não fazia de ti, um desistente... afinal, talvez, não sejamos assim tão parecidos... mas pronto... cada um é como é...

"Quando a gente ama, é claro que a gente cuida", já Caetano Veloso o dizia...
Quando a gente ama, tenta, quando a gente ama, arranja nem que seja meia hora para estar com a pessoa....quando a gente ama... Mas para isso é preciso amar mesmo... de uma forma sobrenatural...

Acabou! Finito! É triste, mas é a realidade...

Tudo não passou de uma mera ilusão...

terça-feira, outubro 6

(2)

Volta a olhar em frente, em direcção ao mar... aquele mar cinzento que guarda tantas histórias. Ao longe avista-se um barco. Ana sorri, limpa as lágrimas com ambas as mãos.

Lady, a cocker cor de mel, encontra-se à beira mar, como sempre, a ladrar contra as gaivotas. Para esta, aqueles animais estranhos não deviam estar perto da sua banheira gigantesca. "mas que fazem eles alí?"

- Pára sua tonta... comporta-te como uma lady que és!! - Diz-lhe Ana. Esta encontra-se descalça à beira mar,  o  vestido branco que trás esvoaça ligueiramente, o  chapéu vermelho tapa-lhe os olhos. As sandálias repousam atrás desta, junto à toalha. A cocker inclina o focinho para o lado direito, volta a ladrar para Ana. Esta baixa-se, segura o focinho da cadela e ri.
- És uma tonta... mas é por isso que gosto tanto de ti!
- Ai é, dela? Já fui trocado novamente? - exclama uma voz masculina por detrás de Ana.
- Não seja ciumento senhor Diogo... sabes bem que só tenho olhos para ti - ri-se ao mesmo tempo que se levanta!
- Eu sei, eu sei... até que sabes bem que eu acho que a Lady é que devia ter sido a nossa madrinha. Se não fosse ela, nem nos tinhamos conhecido - Diz-lhe Diogo enquanto a abraça.
- Claro, e a Raquel tinha achado uma piada ter sido trocada pela Lady.
- Vamos ser sinceros... a Lady é muitoooooo mais bonita que a tua prima.
- Diogo Samuel!!
- Ana Samuel, não refiles e beija-me!
- Com certeza maridinho! - Aproxima-se mais, coloca as suas mãos atrás do pescoço de Diogo e começa a beijá-lo.

sexta-feira, outubro 2

(1)

Ana abriu a janela. Como durante aquela semana, estava um dia de inverno. Parecia que tinha chegado mais cedo aquele ano, ou talvez fosse dela. O inverno tinha chegado mais cedo. Desde nova, sempre adorou por-se à janela. Ficava a ver o mar, as suas tonalidades conforme as estações do ano, a luminosidade do dia, mas naquele preciso dia, apesar de estar a olhar para este, ela não o via. A sua mente estava vazia. Tão vazia que ela nem ouviu a mãe a abrir a porta.
- Ana, dormiste?
Esta olha para aquela figura morena, alta, que apesar da idade, continuava bonita. Olhava para Ana como uma doçura extrema, a doçura maternal.
- Sim, um pouco...
- Queres que te traga algo?
- Não, só que me deixes estar... - Pede-lhe Ana.
A porta volta-se a fechar, com a mesma suavidade que abriu.
Ana encontrava-se novamente sozinha. SOZINHA! Volta a olhar pela janela, mas desta vez em direcção ao céu, como se este lhe dissesse tudo, como se este fosse o seu melhor amigo. Enquanto isso, esta agarra o parapeito da janela com força. Cai-lhe uma lágrima sobre a mão. Baixa o olhar para aquela lágrima solitária.
- Estás como eu... - Pensa Ana.